Anonymous said... (assim fica aqui o texto por onde tudo começou)
pois, não sei qual será o melhor método (geralmente sou, infelizmente, mt pouco metodológico), mas deixo isso ao teu critério, eu escrevo umas linhas e tu depois logo decides como prosseguimos;)sendo ateu naturalmente não encaro,como tu, a alteridade do "eu" (os outros em mim) como uma transcedência - como um fio cósmico que une todos os homens remetendo-os para deus - mas como uma imanência: há algo em nós que nos une aos outros. mas esse algo não é dado a priori, ou melhor, existe,mas apenas em potência; cada um de nós é que tem de construir o laço que nos une a todos os outros. e eles laços são, para mim, o que constitui a Ética (repara que que so deus com minúsculas mas Ela, a Ética, o verbo, tem outro estatuto;).esse laço é o que alguns filósofos chamam o "rosto" do outro. o rosto é o âmago inapropriável de cada sujeito, aquilo que nele não pode ser conquistado pelo outro, mesmo que o outro o mate - e se matar é tentar destituir o outro do seu carácter único (remetendo-o para omundo anónimodos mortos), a inviolabilidade do seu rosto faz com que ele nunca possa ser esquecido,com que ele nunca desvaneça, com que ele nunca seja totalmente conquistado.o rosto do outro - de cada um dos outros - interpela-me contantemente, e impõe-me que o salve, impõe-me que entre em diálogo com ele; e é nesse diálogo que eu me descubro e me constituo como eu. o rosto, está sempre lá (até os condenados de auschwitz o tinham, embora já não fossem humanos), o que temosde fazer é desocultá-lo. e isso é o que ninguém (incluindo eu) faz.assim, é pelo diálogo desinteressado com o outro - pela relação dialógicacom ele em que eu não me tento apropriar dele - que eu me descubro como ser ético, é que eu reservo omeu lugar no paraíso (lol).é assim que nos descobrimos como outro, é assim que constituimos o nosso eu na alteridade, na quebra de fronteiras rígidas que separam onegro do branco, o homem da mulher, o cristão do muçulmano. e isso só pode ser pela via dialógica, pelo estabelecer do diálogo. não o diálogo com deus mas o diálogo como meu semelhante.olha, se queres o exemplo perfeito ele está no livro de são lucas (acho), quando se fala do "bom samaritano". no fundo,o que eu estou aqui a dizer é doutrina teológica, mas depurando-a de toda a transcendência (a única transcendência que vai para além da materialidade da vida é o "rosto", mas o rosto, não sendo biológico, não deixa de ser estritamente humano).e pronto, obviamente que estas ideias não são minhas (se fossem eu seria um génio), mas de filósofos como o Emmanuel Lévinas, Maurice Blanchot, Derrida... o problema é que obviamente que isto não foi uma adaptação digna das suas ideias,o melhor é mesmoler os livros :)e pronto,fico à espera de resposta :) espero que não tenha ficado mt confuso, mas acho que ficou. a verdade é que eu não domino isto tão bem quanto deveria, mas acho que já dá para lançar o debate!um abraço! (by the way, sou de lisboa)

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