Ainda sobre a repetição
Excerto de um texto da Aleluia Baby #6:
Não é pessoa de repetições, apesar de as procurar como se de um ritual se tratasse. Acha que é a consciência de que todos necessitamos de rituais, em todos os cantos do mundo. E é também a sua necessidade de fugir a esta condição humana, que vê como que, de certo modo, imposta por uma vontade anterior e exterior à sua. E é também esta necessidade de controlo absoluto da sua existência que o cansa, que o faz sentir prisioneiro de si próprio, contrariando o tão bem querido destino (querido quando é positivo, diga-se de passagem...).
(...)
Concorda com a conclusão a que se chegou de que uma filosofia é constituída por meia dúzia de ideias chave, não estando estas subdivididas em muitas outras categorias. Talvez por isso mesmo se considere tão repetitivo, e também por esse motivo tente agora explicar-se, como se estivesse a formular uma desculpa para si próprio, ou para quem o lê.
Os paradoxos são sempre uma constante neste pensamento alternado, mas há marcos que definem muito bem trajectos, intenções, direcções, vontades, que constituem igualmente uma constante. Opostos ou não, convivem. Cabe-me aqui unir as peças, catar-lhes o tal fio condutor, projectar intenções para o futuro, tornar exponencial o Devir. Acerca do Devir, tenho pendurada na parede do meu quarto uma folha que diz o seguinte: "o Devir: o movimento como actualização do possível". Já nem me lembrava dela, apesar de estar na parede por me saber tão esquecido... Diz ainda: "São Tomás, Devir: a mudança é a actualização da potência enquanto potência. Acto+Potência=Devir".


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