Rosmaninho e Alecrim pelo chão

Um caminho dourado por Midas, queimando à passagem os pés descalços dos desterrados

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Localização: Porto, Porto, Portugal

Hugo André Barbosa Carvalho dos Santos. Nascido a 15 de Abril de 1978. Curso de Pintura da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Curso de Artes Gráficas da Escola Secundária de Soares dos Reis. Curso de Formação Pedagógica Inicial de Formadores. Curso de Desenho Assistido por Computador como Conteúdo Multimédia. (Dreamweaver, Flash, AutoCad, 3D Studio Max, Photoshop) Bolseiro Erasmus 2000/2001 (Faculdade de Belas Artes do País Basco). Frequentou 2 cursos de verão do CPCIL (Centro Português para a Criatividade Inovação e Liderança). Frequentou 2 Workshops de teatro na FBAUP em 1999 e 2000. Membro da ARGO (Associação Artística de Gondomar) desde 1993. Membro do CCTEG (Centro Cultural de Teatro Experimental de Gondomar).

segunda-feira, julho 19, 2004

As nuvens.

As nuvens.

 
"Desde essa época que, ainda que de modo confuso, eu tinha a intuição de que a nuvem seria o meu elemento - essa coisa que é imaterial e todavia substancial, essa presença etérea e quase palpável. Virei a compreender mais tarde - quando chegar à idade de compreender porque é que os Chineses são tão apaixonados pelas nuvens, porque é que usam a expressão «nuvens e chuvas» para designar o acto de amor e o estado de êxtase, porque é que os poetas e os tauistas falam de «comer brumas e nuvens», de «afagar brumas e nuvens» e de «dormir com brumas e nuvens». No fundo, o que é a nuvem? Donde vem? Para onde vai? Eu que tinha todo o tempo para a observar, via que ela nascia do vale sob forma de brumas, depois subia às alturas até atingir o céu onde podia vogar à vontade e tomar todas as formas, ao sabor do tempo, ao sabor do vento. De vez em quando, como se não esquecesse da sua origem, consentia em regressar à terra sob forma de chuva, cumprindo um percurso circular. Portanto, estava sempre algures mas não era de nenhures. Então o que era? Nada. Mas parecia que sem ela o céu e a terra teriam sido monótonos". - do livro: O que disse Tianyi.

Outra das expressões que são utilizadas acerca do trabalho de Yves Klein, é o "espaço etéreo" que tanto o intriga. (e lembro-me das minhas músicas: "Ethereal Mood"). Isto também me faz lembrar uma frase que a A. (colega da internet) me disse acerca de mim ou do que de mim pressentia: "já reparaste que falas sempre em ar, em coisas suspensas, coisas penduradas?".
Vem-me à memória uma música que fiz, a partir de um poema já um pouco antigo, há cerca de seis anos atrás, e que até serviu de motivo de gozo para alguns. O poema intitulava-se: "I am a cloud in the open sky". Os colegas que o comentaram disseram que já tinham pensado em ser várias coisas, o Sol, a Lua, uma flor, o rio, o mar, uma montanha, agora uma nuvem nenhum deles queria ser!
E o poema era assim:

 


Poema IV

I am a cloud
In the open sky
I see myself so white.
I wish I could rain all over you
If I was really a cloud
And white.

 
Este poema também foi recordado quando comprei um álbum que ouvi em Bilbao, na loja onde conheci Carlo Majer, disco esse que fez com que o encontro fosse possível, pois Carlo já não o ouvia há muitos anos e andava à procura dele. Eu tinha-o na mão, juntamente com mais três CD’s, no momento em que ele entra na loja e pergunta pelo disco... Neste álbum de 1968, dos United States of America, que curiosamente só editaram um álbum, existe também um poema acerca de nuvens, "Cloud Song":

 

"How sweet to be a cloud,
Floating in the blue.
It makes him very proud
To be a little cloud.


How sweet to be a cloud
Floating in the blue.

How sweet to be a cloud,
Floating in the blue
It makes us very proud
To be a little cloud.

How sweet to be a cloud
Floating in the blue."

 
"Este poema parece ter sido feito por/para mim!", disse eu quando o ouvi pela primeira vez. A semelhança com o meu poema é incrível, e as sensações são as mesmas, levando-me a pensar que há por aí muita gente que gostaria de ser nuvem, embora nem o saiba.

De facto, recorro muitas vezes a esse tipo de representações, usando materiais que remetem para essas "texturas visuais", também eles com fortes traços orientais de delicadeza e névoa, e tudo começa a querer sair dos confins da incógnita, e o meu mundo de nuvens e imagens desfocadas, parece agora emergir na forma do oriente e do tempo perdido/achado das minhas dúvidas...

1 Comments:

Blogger Polly Jean said...

Também gosto de nuvens. Das inumeras formas que estas podem revestir,do embalo do movimento,da mutação de cores, da leveza, da chuva que transportam, de tudo o que nos podem levar a imaginar só de ficar a olhar para elas.
è bem bonito seres uma especie de nuvem.

quarta-feira, julho 21, 2004  

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