Pluri Culmoravit Maglorotziv (ou: O Visconde de Assis)
O meu nome é Frango, Albino Repolho de Frango. Venho de Penaguião para Santa Eulália e parei numa tasca de viagem para escrever umas linhas.
Tenho um par de formigas encantadoras que trabalham todo o dia só para me entreterem com a sua azafama, a sua maravilhosa sincronia laboral, labuta, labuta, lindos os bichinhos pequeninos, pretinhos e magricelas.
Tenho um par de rosas plantadas num vaso de marfim, vermelhinhas, ao rubro, com espinhos macios e petalas de se comer. Como-lhes as pétalas de 3 em 3 semanas e depois arroto perfumes.
Tenho um par de tornozelos com nome africano, o fundungo e o bilongo, ambos bilingues, ambos saudáveis, ambos crentes na indústria do calçado, aconchegados por botas Boss, Hugo Boss, pois o inverno pode ser traçoeiro.
Tenho um par de costoletas no forno e outro par de costoletas a lixar a cabeça de um tal de Adão. Alguém lhe disse que a maçã era um animal carnívoro ou algodo género e agora passa o dia todo a cuspir uma salgalhada de equações matemáticas.
Tenho um par de lontras gigantes, gordinhas e fofinhas, meigas o bastante, criaturas de pele de pêssego, amantes do mar e dos pinguins, esculpidas num monte de banha, lindas, lindas, manteiga concentrada em corpos desajeitados fora de água, lisos dentro dela.
Tenho um par de tartarugas amestradas que andam de bibicleta e comem pastilhas elásticas. Quando fazem cócó podemos ver uns pequenos balõezinhos a sair por trás delas, estoirando pouco tempo depois em pequenas nuvens amarelinhas.
Tenho um par de unhas importadas da índia, coisa rara, aparadas cuidadosamente por um hipnotisador de cobras reformado, homem de barba, pele e mente rijas.
Tenho um par de navios naufragados ao longo do Cabo Bojador, senhores das profundezas, controlam o tráfego de sereias das correntes frias, e servem de morada aos peixes desamparados de outras águas.
Tenho um par de neurónios que discutem entre si a todo o tempo e me fazem perceber que tudo o que possuo é uma ilusão, como um senhor uma vez disse, qualquer coisas a ver com cavernas... morcegos.. (seria?).
Tenho um par de mãos malandras. Escrevem e escrevem mas nunca dizem nada. Será por não terem boca?
Tenho um par de amigos que se estende a mais dedos quando os conto e dos quais me recordo porque deles tenho coisas, mesmo que vagas memórias como as minhas formigas, tornozelos, rosas e outras imagens arco-íris.
Plín!


4 Comments:
Boss, Hugo Boss, todo ele um arco-iris de plins, com mãos pintadas a ouro, com palvras murmuradas, com segredos velados, com arrogância de salvar o mundo. Pintado e pintando as cores de um sonho, desencontrado de todos e tão alto que por vezes se sente insuportávelmente só. É um menino, mas tem nome de gente grande...boss, Hugo Boss.
"Arrogancia de salvar o mundo"?
GLUP!
O Hugo Boss veio do Dolce & Gabana... Era essa a ligação... e a do meu nome tb... mas era por causa das marcasm da ilusão... etc...
GLUP!
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