Sem Título
Esfola as goelas com o que tens dentro
Atira pela boca o tempo que passa
Bolas de ping pong saltando para fora
Amassa os dentes nos sons que magoam
Revira as palavras e torna a morder
Fatia a fatia o bolo se come
A polpa de sangue é bem saborosa
Caiu no chão e fez um buraco
Um ácido vermelho e escorregadio
Semente do bem e também do mal
Insulta o surtido multi-sabor
Arco-íris redondo e multicolor
Fatias de pernas, de ouro torneadas
O chá verde lima escorrega bem
Esfrega o estômago e limpa o resto
Raquete na mão e olho atento
O chinelo no pé alivia o calor
A dor já se foi mas fica o resto
Nos dedos as unhas e cócegas macias
Pelas costas de mar se vai navegando
De ponta a ponta o olfacto melhora
Perfume leve de começo de dia
No estômago um brinde de bolo rei
Na forca o ladrão pede perdão
Vomita palavras com grande verdade
Na paragem vazia o autocarro espera
A gaveta aberta está cheia de pó
Os poros da pele abrem-se todos
Rede macia que apanha tão pouco
Tem um anzol escorregadio
Poucas imagens na vista fechada
Tambor sonolento mas ainda acordado
Lembra um amigo e uma mensagem
Eis a orquestra dos sons estridentes
A fechadura é dura e dura a chave
Tapete vermelho, branquinho o chão
Lagarta bonita mete medo ao menino
Ri com bravura e bate palminhas
Raquete furada e bola saltarica
Palavras bocejando no ouvido do outro
Ouve mas não entende e fica calado
Almofada fofinha na cama redonda
Fato de banho e luvas de boxe
Munições de amor só para amar
Pouco importa se o vento ajuda
Campo de trigo e espantalho fardado
Rigor de poeta e equações complicadas
Livros microscópicos para olhos miopia
2003


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