Rosmaninho e Alecrim pelo chão

Um caminho dourado por Midas, queimando à passagem os pés descalços dos desterrados

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Localização: Porto, Porto, Portugal

Hugo André Barbosa Carvalho dos Santos. Nascido a 15 de Abril de 1978. Curso de Pintura da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Curso de Artes Gráficas da Escola Secundária de Soares dos Reis. Curso de Formação Pedagógica Inicial de Formadores. Curso de Desenho Assistido por Computador como Conteúdo Multimédia. (Dreamweaver, Flash, AutoCad, 3D Studio Max, Photoshop) Bolseiro Erasmus 2000/2001 (Faculdade de Belas Artes do País Basco). Frequentou 2 cursos de verão do CPCIL (Centro Português para a Criatividade Inovação e Liderança). Frequentou 2 Workshops de teatro na FBAUP em 1999 e 2000. Membro da ARGO (Associação Artística de Gondomar) desde 1993. Membro do CCTEG (Centro Cultural de Teatro Experimental de Gondomar).

terça-feira, julho 13, 2004

Sem Título

Grita, grita, berra bem alto
Esfola as goelas com o que tens dentro
Atira pela boca o tempo que passa
Bolas de ping pong saltando para fora
Amassa os dentes nos sons que magoam
Revira as palavras e torna a morder
Fatia a fatia o bolo se come
A polpa de sangue é bem saborosa
Caiu no chão e fez um buraco
Um ácido vermelho e escorregadio
Semente do bem e também do mal
Insulta o surtido multi-sabor
Arco-íris redondo e multicolor
Fatias de pernas, de ouro torneadas
O chá verde lima escorrega bem
Esfrega o estômago e limpa o resto
Raquete na mão e olho atento
O chinelo no pé alivia o calor
A dor já se foi mas fica o resto
Nos dedos as unhas e cócegas macias
Pelas costas de mar se vai navegando
De ponta a ponta o olfacto melhora
Perfume leve de começo de dia
No estômago um brinde de bolo rei
Na forca o ladrão pede perdão
Vomita palavras com grande verdade
Na paragem vazia o autocarro espera
A gaveta aberta está cheia de pó
Os poros da pele abrem-se todos
Rede macia que apanha tão pouco
Tem um anzol escorregadio
Poucas imagens na vista fechada
Tambor sonolento mas ainda acordado
Lembra um amigo e uma mensagem
Eis a orquestra dos sons estridentes
A fechadura é dura e dura a chave
Tapete vermelho, branquinho o chão
Lagarta bonita mete medo ao menino
Ri com bravura e bate palminhas
Raquete furada e bola saltarica
Palavras bocejando no ouvido do outro
Ouve mas não entende e fica calado
Almofada fofinha na cama redonda
Fato de banho e luvas de boxe
Munições de amor só para amar
Pouco importa se o vento ajuda
Campo de trigo e espantalho fardado
Rigor de poeta e equações complicadas
Livros microscópicos para olhos miopia

2003