Rosmaninho e Alecrim pelo chão

Um caminho dourado por Midas, queimando à passagem os pés descalços dos desterrados

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Hugo André Barbosa Carvalho dos Santos. Nascido a 15 de Abril de 1978. Curso de Pintura da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Curso de Artes Gráficas da Escola Secundária de Soares dos Reis. Curso de Formação Pedagógica Inicial de Formadores. Curso de Desenho Assistido por Computador como Conteúdo Multimédia. (Dreamweaver, Flash, AutoCad, 3D Studio Max, Photoshop) Bolseiro Erasmus 2000/2001 (Faculdade de Belas Artes do País Basco). Frequentou 2 cursos de verão do CPCIL (Centro Português para a Criatividade Inovação e Liderança). Frequentou 2 Workshops de teatro na FBAUP em 1999 e 2000. Membro da ARGO (Associação Artística de Gondomar) desde 1993. Membro do CCTEG (Centro Cultural de Teatro Experimental de Gondomar).

quarta-feira, agosto 30, 2006

Peoma

Capicua

Dizem-me para me preparar para o pior
Porque o pior ainda está para vir.
Para eles (nós) o pior nunca vem,
O pior está sempre na eminência de vir,
O pior é sempre pior que o pior,
Porque o pior de agora pede que se aguente o pior que vem a seguir
Que acaba por nunca vir porque o pior que vem não é o pior.

Nunca se diz que este é o pior.
Nunca se descansa sabendo que este é o pior
E que não há pior, pior do que este pior.
Existe sempre o espectro de um pior-pior
Uma sombra que prolonga o pior até ao infinito.

Nunca sentimos a libertação de saber que este é o pior,
O prazer de ouvir alguém dizer que este é o pior dos piores,
Que não vem outro pior,
Nenhuma sombra,
Nenhuma brisa,
Nenhum prenúncio de pior,
Nenhum outro estado lastimável pior que este,
O pior.

Este pior é semelhante à inquietação do José Mário Branco
Á inquietação do António Variações
Ou do Álvaro de Campos.
É qualquer coisa que nunca será
Mas que é sempre, ao mesmo tempo.

É uma espera sem descanso.
Uma espera infinita.
Pois diante do pior não o reconhecemos,
Diante do pior pedimos que outro pior não venha,
Outro pior ainda que este,
Que por ainda não ter vindo atenua os danos que este traz,
Os danos que este cava, à espera do outro pior.
Mas a sorte é madrasta e ao mesmo tempo vem a angústia
De saber que este pior não é o pior
E há outro que pode vir.
Destrói-se a esperança de saber que este pior é o último
E que não vem outro pior a seguir.

Dizem-me para me preparar para o pior
Mas estar mais preparado do que saber que o pior não existe
É impossível.

Hugo Santos 27-08-2006

1 Comments:

Blogger isabel said...

Primeiro pensamos que é o pior....depois achamos que até foi melhor...

Mas que dói...dói

Beijo grande

sábado, setembro 02, 2006  

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