Sobre o ABORTO (E considero-me CRISTÃO...)
O problema da DESPENALIZAÇÃO do aborto é novamente levantado e vai novamente ser referendado, pese embora uma maioria parlamentar que o podia aprovar, mas entende-se que não o queira fazer por ser assunto tão polémico.
Os argumentos são novamente esgrimidos, de ambas as partes, quer dos defensores da penalização (que se dizem defensores da vida) e os defensores da despenalização (apelidados pelos outros de defensores da morte).
Não me preocupo tanto com os supostos “defensores da vida” serem contra o aborto, até porque há muitos “defensores da morte” que também o são. Eu, por exemplo, não sou favorável ao aborto mas sim à sua despenalização, o que é substancialmente diferente. Não percebo porque os supostos “defensores da vida” se alegam assim apenas por estarem a favor de uma penalização, quando o que se trata é de despenalizar e não de incentivar à prática do aborto. Tudo isto é até aceitável, dada a ignorância de muita gente habituada a confundir questões, a ser hipócrita e a fechar os olhos.
O que não me parece aceitável é o facto da Igreja católica se colocar numa posição anti-cristã, em suposta defesa da vida. Não acredito que Jesus, se tivesse oportunidade de se pronunciar diante de tal referendo, escolhesse PENALIZAR, mandar para a PRISÃO, mulheres por praticarem o aborto, e tapasse os olhos à quantidade enorme de abortos que se fazem clandestinamente por ano, muitos deles em clinicas privadas, sendo 10% dos abortos feitos em Madrid praticados sobre mulheres portuguesas... A igreja escolhe a PUNIÇÃO como forma de educação, forma de controlo da moral dos seus rebanhos. Mesmo que não escolha directamente a PUNIÇÃO, ao por-se ao lado dos defensores do NÃO, está ao mesmo tempo a aceitar a lei vigente, a PRISÃO das mulheres que abortam.
Não me parece uma postura CRISTÃ.
Aconselho toda a gente uma mente atenta, à procura, e preocupada com a verdade das coisas e não com os olhos vendados ou tapados pelas próprias mãos para não ver. Mesmo que optem pela penalização, tenham consciência das suas implicações.


